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Uma voz come?a a ecoar nos ouvidos de Samuel, chamando-o. Ele abre os olhos e se encontra no mesmo lugar do sonho anterior. "De novo aqui? Mas por quê?" Ele pensa, uma sensa??o de desorienta??o o invadindo. A luz reaparece diante dele, mais intensa e reconfortante do que antes.
— Vejo que está seguindo seu caminho, garoto. Você deve estar adorando este mundo, mas n?o se esque?a do motivo pelo qual foi enviado a este lugar, ouviu? — diz a luz, sua voz ressoando como um eco distante, mas familiar.
— Eu sei, mas como vou fazer isso se n?o sei exatamente o que é esse 'esquecimento'? — pergunta Samuel.
— Eu te entendo. Como eu disse, com o tempo, todas as suas perguntas ser?o respondidas. Saiba que o esquecimento é um sofrimento que todos enfrentar?o no final, mas ao acabar com ele, todos ter?o uma nova chance de serem lembrados novamente, um recome?o. Continue no caminho que está seguindo; acreditamos em você. — diz a luz, suas palavras como um bálsamo, mas também um fardo pesado.
— Acreditamos? Que coisa foi aquela que saiu das minhas m?os? — pergunta Samuel, intrigado, o olhar fixo na luz.
— Aquilo é sua aura, uma representa??o do seu ser interior e um ponto crucial em sua jornada. Já falei demais, agora vá! — diz a luz rapidamente, como se temesse ser descoberta.
Em quest?o de segundos, Samuel acorda bruscamente. "De novo isso. Eu nem sei quem é essa luz e por que faz isso. Como minhas perguntas ser?o respondidas assim?" Ele se levanta, sentindo-se exausto, mesmo após um sono que deveria ter sido reparador.
O Alfa, percebendo que Samuel acordou, se aproxima, seu olhar cheio de preocupa??o.
— Bom dia! Parece que você acordou na hora certa, Samuel. Levante-se e se arrume; hoje temos muito a fazer, ent?o se apresse. — diz o Alfa, sua voz firme, mas reconfortante.
Samuel se levanta, ainda um pouco pensativo, e guarda suas coisas cuidadosamente na mochila, uma sensa??o de dúvida crescendo em seu interior.
— ótimo, agora vamos. Vou te levar para um lugar onde est?o os outros humanos. — responde o Alfa, animado.
Ambos saem da toca, e a luz do sol os envolve, aquecendo Samuel enquanto eles seguem pela floresta em dire??o a uma pequena e simples vila. O cheiro da terra úmida e das folhas verdes o envolve, trazendo um sentimento de esperan?a que ele n?o sentia há muito tempo. No caminho, o Alfa pergunta, quebrando o silêncio:
— Percebi que você teve uma noite agitada. Aquela luz que você mencionou... Ela apareceu para você novamente?
Samuel balan?a a cabe?a, confirmando, seu olhar distante.
— é uma responsabilidade enorme para um humano como você. Tenho certeza de que, se fosse comigo, eu também estaria cheio de dúvidas, medo e angústia. Mas sei que há algo diferente em você. N?o é só seu tom ou seu jeito-n?o foi por acaso que ela te escolheu para algo t?o grande. Pode ser destino, Samuel. Pense nisso.
Samuel mantém a cabe?a baixa, sentindo o peso das palavras do Alfa. Uma mistura de preocupa??o e determina??o o invade. Ele sabe que precisa ser forte, mas a press?o é quase insuportável.
Percebendo a express?o abatida de Samuel, o Alfa continua, sua voz mais suave:
— Mudando de assunto... Fiquei curioso. Você disse que seu mundo foi 'corrompido' por algo. O que seria esse algo?
Samuel levanta a cabe?a, com uma express?o mais séria.
— Meu mundo é sujo, ganancioso e impiedoso. O que o corrompeu n?o foi apenas uma praga, foi uma puni??o. Todos que eu amava foram mortos por coisas que nem sei como explicar. Só sei que vieram e destruíram tudo que viram pela frente. - Sua voz quebra ao lembrar-se da perda.
— Entendo. Deve ter sido difícil viver sozinho e com medo. As pessoas julgam os outros pelo que s?o, mas nunca pelo que passaram ou fizeram. Parece que aquela luz decidiu te dar uma nova oportunidade de viver uma vida melhor, um recome?o também. Desculpe voltar ao assunto, você parece t?o deprimido.
— Está tudo bem. Apenas n?o se preocupe comigo. — responde Samuel.
— Hum, ao anoitecer terei uma reuni?o com outros alfas. Depois, podemos conversar mais sobre isso. Tudo bem para você, Samuel?
Samuel concorda com um aceno de cabe?a.
— ótimo. Parece que chegamos, — diz o Alfa, parando diante da entrada da vila.
Ao serem recebidos, caminham em dire??o à cabana do líder local, que os aguarda na porta com um semblante curioso.
— Senhor? Que surpresa vê-lo por aqui. Quem seria este, meu lorde? — pergunta o líder, analisando Samuel com um olhar investigativo.
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— é sobre ele que vim. Gostaria de pedir um favor, — diz o Alfa, sua postura firme, mas há uma leveza em sua voz.
— Claro, meu senhor. Que favor seria? — pergunta o líder, demonstrando respeito.
— Quero que acomode este humano em seus aposentos. Ele será um dos nossos. Seria bom se ele participasse dos treinamentos, mas apenas se ele quiser.
— Com certeza, meu senhor. — responde o líder, a preocupa??o se transformando em um sorriso acolhedor.
— Excelente. Deixarei ele em suas m?os por agora. Mais tarde, voltarei para ver como está se saindo. — diz o Alfa, antes de se afastar, deixando Samuel e o líder sozinhos.
— Ele veio aqui só para te trazer. Você deve ser importante para ele. — comenta o líder, estudando Samuel.
— Antes de mais nada, desculpe meus modos. Prazer em conhecê-lo, me chamo Alaric Sable. E você? — pergunta o líder, estendendo a m?o em sauda??o.
— Samuel. — responde Samuel, apertando a m?o dele.
— Incrível, parece que já estamos nos entendendo. Vamos, vou te levar ao lugar onde você ficará e depois ao nosso campo de treinamento! — diz Alaric, a anima??o em sua voz é contagiante.
Enquanto caminham, Samuel pensa "As pessoas e os lobos desse mundo s?o t?o educados e gentis aqui. Ele mal me conheceu e já está agindo dessa forma comigo. Isso me faz querer viver ainda mais neste mundo. "
Alaric leva Samuel até uma cabana próxima a um rio, cujas águas cristalinas refletem o céu azul.
— Aqui é onde você vai ficar. N?o é muito, mas é melhor do que nada. Espero que goste. Estou aqui fora, esperando. Pode entrar e verificar sua nova cabana. — diz Alaric, com um sorriso encorajador.
Samuel entra na cabana e fica abismado com a beleza interior. Havia tudo o que ele queria: uma cama quentinha, livros, comida, água, roupas e uma grande lareira. Ele n?o tinha palavras. Nem em seus sonhos ele imaginou morar em um lugar com um aspecto t?o tranquilo assim. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ele as enxugou rapidamente, n?o querendo parecer vulnerável. "Ainda há muito a fazer," pensa ele, sentindo uma nova esperan?a brotar em seu peito. Deixou suas coisas e saiu da cabana.
— Você foi rápido. Percebi que gostou da sua nova casa, n?o é? N?o é uma das melhores, mas vai servir. Já que terminou de vê-la, vamos. Quero te levar ao nosso destino final, o campo de treinamento. Você vai gostar. — diz Alaric, com um brilho nos olhos.
Eles caminham em dire??o ao campo de treinamento. No caminho, Samuel pergunta:
— Percebi que n?o há tantas pessoas aqui. Aconteceu alguma coisa?
— Muitos de nós n?o somos bem recebidos pelos lobos. Tentamos conviver com eles, mas somos julgados pelo que os ca?adores fazem. Queremos ajudar, mas às vezes dói sermos julgados assim, entende? — explica Alaric, sua voz carregada de emo??o.
— Alguns foram embora ou simplesmente n?o se importam mais, mas outros, como nós, permanecem porque sabem o que é certo e lutam para defendê-lo.
— Agrade?o pela explica??o. — diz Samuel, admirando a determina??o de Alaric.
— De nada. Você é bem-vindo para perguntar o que quiser, — diz Alaric, sorrindo.
Eles andam um pouco mais até chegarem a uma montanha.
— Chegamos! Aqui é o nosso campo de treinamento! — diz Alaric, empolgado.
Alaric atravessa a montanha como se ela fosse invisível. Samuel, confuso, faz o mesmo e, ao adentrar, se depara com um enorme campo verde, cheio de equipamentos e objetos de treinamento, além de elementos mágicos que destacavam o lugar. A vista é deslumbrante, uma imers?o de cores e sons que quase parece pulsar com vida.
— Como? Isso é mágico — diz Samuel, chocado, com olhos de admira??o.
— Pois é, aqui é onde nós, humanos, treinamos. Será uma honra ver você treinar aqui. Fa?a o seguinte: percebo que você n?o está acostumado com esse tipo de coisa. Por que n?o observa como os outros treinam? Amanh?, bem cedinho, você vem treinar com eles. Que tal? — sugere Alaric, com anima??o em sua voz.
Samuel concorda, sentindo uma empolga??o enorme crescendo dentro de si.
— ótimo! Chegamos bem na hora. — diz Alaric, gesticulando para um grupo de humanos que se prepara para o treinamento.
Alguns humanos, acompanhados de seus cavalos, chegam e se reúnem no centro do campo. Em quest?o de segundos, alvos come?am a surgir magicamente, e eles correm com seus cavalos, acertando os alvos de forma sincronizada. O espetáculo é impressionante e bem orquestrado, algo que Samuel nunca havia visto em seu mundo. Ele percebe que o estilo de luta deles, embora diferente do que ele conhecia, tinha uma beleza única e um propósito que o cativava.
Após aquela apresenta??o, Alaric pergunta:
— Gostou do que viu? Eles treinam praticamente todos os dias para se tornarem melhores e vencerem os ca?adores. Com a sua ajuda, sinto que teremos uma chance a mais de mostrar aos ca?adores quem manda. O que me diz?
— Isso n?o é bem a minha maneira. — responde Samuel, um misto de hesita??o e reflex?o em sua voz.
— N?o é sua maneira? O que quer dizer com isso? — pergunta Alaric, confuso.
— Eu n?o fui treinado para matar ca?adores. Fui treinado para matar coisas muito piores e mais sanguinárias. Mas n?o me importo, vai ser bom aprender um novo jeito. — diz Samuel.
— Entendo. Tudo bem. Bom, é isso. Se quiser, podemos voltar para sua cabana. Aproveite que ainda é de manh? e tire o dia para descansar, só n?o fa?a muita bagun?a aqui na vila, pode ser? — diz Alaric, um sorriso nos lábios.
Samuel acena em concordancia, sentindo-se grato pela gentileza e pela oportunidade.
Alaric e Samuel voltam para a cabana, a caminhada repleta de um silêncio confortável. Ao chegarem, Alaric se despede e vai para outro lugar, deixando Samuel sozinho com seus pensamentos.
Samuel entra na cabana e logo se deita na cama, pensativo. O cheiro do ambiente é acolhedor e a luz suave que entra pela janela faz seu corpo aquecer. "Eu nunca pensei em sentir essa paz novamente," reflete, olhando para o teto. "N?o preciso mais me preocupar com os monstros que viviam me ca?ando. Queria poder compartilhar tudo isso com vocês..." Ele puxa a foto de sua família novamente, observando os rostos sorridentes que o olham de volta. A dor da perda aperta seu peito, e ele sente as lágrimas se acumularem, mas as enxuga rapidamente, decidido a n?o se deixar abater.
Com um suspiro profundo, ele se levanta e olha pela janela, observando o movimento da vila. Uma nova vida se desenrolava diante dele, cheia de possibilidades e desafios. "Talvez eu possa encontrar um novo propósito aqui," pensa, o espírito renovado. E assim, ele finalmente cede ao sono que tanto precisava há anos, deixando seus sonhos serem preenchidos pela luz e pela esperan?a que o cercavam.
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