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Assim que Samuel atravessou o portal, sentiu o ar ao seu redor mudar. O brilho da passagem desapareceu atrás dele, como se nunca tivesse existido. Ele piscou algumas vezes, tentando se ajustar à luz natural.
O que viu diante de si o deixou sem palavras. árvores imensas se erguiam ao redor, suas copas dan?ando suavemente ao vento. O perfume das flores e o canto distante dos pássaros preenchiam o ambiente. Mas n?o era só isso. Algo naquele lugar o fazia se sentir... em casa.
"Isso é... familiar? Essas árvores, as flores, a natureza... magia?" Ele olhou ao redor, tentando entender onde estava, até que a memória lhe veio à tona.
"Eu me lembro... N?o pode ser real. Esse lugar, esse mundo. Como isso é possível?" Ele esfregou novamente o rosto, tentando se convencer de que n?o estava sonhando.
Com dúvidas e reflex?es permeando sua mente, o garoto come?ou a caminhar pela floresta, à procura de algo ou alguém.
Enquanto caminhava, as lembran?as das histórias que criou nesse lugar come?aram a fluir. Havia algo de estranho, mas n?o necessariamente ruim; era a sensa??o de uma presen?a naquele lugar.
"é estranho estar aqui. Eu sinto que já estive neste mundo antes. Um mundo que eu mesmo inventei no meu caderno..."
De repente, ele parou; a sensa??o ficou mais intensa. Ele sabia quem poderia ser responsável por aquela presen?a, mas antes que pudesse reagir, uma fileira de rochas se ergueu do ch?o e foi arremessada em sua dire??o. O garoto, por reflexo, desviou e caiu ao ch?o, evitando ser atingido por pouco. " é realmente ele. Preciso agir rápido antes que ele me ataque de novo. "
Ele se levantou e olhou ao redor, tentando identificar de onde veio o ataque.
— Ca?ador, você n?o é bem-vindo aqui. Desapare?a, este é o último aviso. Da próxima vez, n?o errarei. Estou avisando! — uma voz profunda e amea?adora ecoou pela floresta.
à distancia, o garoto viu um lobo negro, seus olhos vermelhos brilhando com uma aura poderosa. O lobo olhou diretamente para ele, como se pudesse sentir seu cora??o palpitando.
— Eu avisei, ca?ador. Esse foi seu último aviso. Agora sofra as consequências! — disse o lobo, preparando-se para atacar novamente.
Antes que o lobo pudesse atacar, o garoto fez um gesto com as m?os e se curvou diante da criatura.
— Humano? Como você sabe fazer isso? Quem te ensinou? — perguntou o Lobo, surpreso.
— Você n?o parece um simples humano ou um ca?ador comum. Essas roupas, essa aparência... Quem é você e o que faz aqui?
O garoto se ergueu.
— N?o sou daqui. Vim de um lugar bem distante. Você n?o acreditaria se eu te contasse. — respondeu o garoto, sua voz firme.
— De que você está falando, humano? Você n?o parece ser um deus ou uma entidade divina. Como posso acreditar na palavra de um mísero humano? — desafiou o Lobo.
— Primeiro, você precisa confiar em mim e no que estou dizendo, Alfa. — disse o garoto, com intensidade.
— Você sabe quem eu sou, chegou aqui dizendo que veio de outro mundo e quer que eu confie em você? — o Alfa perguntou, seu ceticismo pairando no ar como uma sombra.
— Fui enviado por algum motivo para seu mundo para salvá-lo, mas n?o sei como farei isso.
O Alfa suspirou, sua express?o se tornando mais ponderada.
— Se o que você diz é verdade, talvez eu possa confiar em você. Mas terá que me convencer e explicar tudo. Entendeu?
O garoto assentiu com a cabe?a.
— ótimo. Por enquanto, venha comigo, humano. Irei levá-lo à minha alcateia para que possamos entender melhor sua situa??o.
Os dois partiram juntos em dire??o à alcateia, a tens?o no ar dissipando-se lentamente enquanto eles caminhavam lado a lado.
Após alguns minutos de caminhada, chegaram. A alcateia era impressionante, com diversos lobos, tocas decoradas e uma aura mágica permeando o ambiente. O Alfa levou o garoto até sua toca, onde se sentaram.
— Muito bem, humano. Já que você parece me conhecer bem, gostaria ao menos saber seu nome. — disse o Alfa.
— Meu nome é Samuel, mas pode me chamar do que quiser, se preferir. — respondeu Samuel.
— Samuel, é um prazer conhecê-lo. Agora que nos apresentamos, gostaria que me explicasse por que veio ao meu mundo. — pediu o Alfa, sua voz cheia de expectativa.
— é complicado — come?ou Samuel, hesitando.
— Complicado? Como assim? — questionou o Alfa, a curiosidade nos olhos.
— Eu tive um sonho estranho antes de vir para cá. Sonhei com uma luz. Ela disse que fui escolhido para salvar todos do que ela chamou de 'esquecimento'. Meu objetivo é salvar mundos que ainda n?o foram 'esquecidos'. Tentei fazer perguntas, mas ela disse que seriam respondidas com o tempo. — explicou Samuel.
— Ent?o essa luz o escolheu e n?o disse o porquê? — questionou o Alfa, os olhos fixos em Samuel, buscando sinceridade.
— Basicamente isso. Mas deve haver um motivo. Vim de um lugar devastado, onde criaturas chamadas dominadores destruíram nosso mundo. Aprendi a sobreviver e a me proteger, mesmo sabendo que n?o poderia vencê-los. — continuou Samuel, a dor em seu cora??o ecoando em suas palavras.
— Entendo... Ent?o veio ao meu mundo para salvá-lo do 'esquecimento'? — perguntou o Alfa, sua express?o se suavizando.
— Resumidamente, sim. — confirmou Samuel, sentindo um leve alívio por finalmente expor sua verdade.
— Entendo. Continuaremos essa conversa mais tarde. Você deve estar confuso e assustado para raciocinar com clareza. — disse o Alfa, notando a tens?o nos ombros de Samuel.
— N?o estou assustado. Só foi tudo t?o repentino. — respondeu Samuel, se firmando.
Ele se levantou calmamente e foi em dire??o à entrada da toca.
— Nunca imaginei, nem nos meus sonhos, que um dia viria para cá. Sempre desejei ter nascido neste mundo e ter tido uma vida mais tranquila com minha família e amigos. — disse, olhando ao redor, admirado.
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— Agora que estou aqui, me sinto t?o leve e seguro. Parece um sonho, mas é real. — suspirou Samuel, um misto de nostalgia e esperan?a em sua voz.
O Alfa se aproximou.
— Eu sinto algo em você, garoto. Sinto algo que me faz acreditar em suas palavras. Se veio para salvar este mundo, ent?o cumpra seu destino. Esse sentimento de seguran?a significa que você se sente em casa. Criou mesmo um la?o especial aqui, n?o foi? — observou o Alfa, sua voz carregada de compreens?o.
Samuel assentiu.
— Fique na minha alcateia esta noite. Amanh?, poderá seguir seu caminho. Alguns lobos podem julgar sua presen?a, mas n?o se preocupe, eles têm motivos. A guerra tem sido difícil, com ataques e perdas diárias. — disse o Alfa, a preocupa??o em sua voz refletindo o estado de seu povo.
— Lamento por isso. Lamento que a humanidade tenha causado sofrimento ao seu mundo. Nossa ra?a é egoísta e nunca deveria ter existido. — lamentou Samuel, a dor por sua espécie pesando em seu cora??o.
— N?o fale assim dos humanos. Nem todos s?o iguais. Há humanos do nosso lado nesta guerra, boas pessoas. — disse o Alfa, defendendo os aliados humanos.
— Eu sei, mas... — Samuel come?ou, sendo interrompido por um lobo que chegou apressado.
— Alfa, precisamos da sua presen?a no vale. é urgente. — disse o lobo, a urgência em seu tom.
— Certo, estarei lá em breve. Samuel, fique aqui esta noite. é mais seguro e confortável. Voltarei logo. — disse o Alfa, se retirando com o outro lobo.
Seguindo o conselho do Alfa, Samuel decidiu esperar seu retorno, mas a inquieta??o o consumia.
Algumas horas se passaram, e o Alfa ainda n?o havia voltado.
"Deve ser algo importante para ele demorar tanto. Talvez eu devesse explorar um pouco a alcateia." — pensou Samuel.
Ele saiu para explorar, admirando o ambiente tranquilo. "Este lugar é t?o pacífico. Nem parece que est?o em guerra. Eu poderia ajudá-los com isso. Preciso entender meu propósito aqui." refletiu, sua mente fervilhando com possibilidades.
Enquanto explorava, Samuel notou os olhares desconfiados dos lobos ao redor. Alguns murmuravam entre si, claramente desconfiados de sua presen?a.
Eventualmente, ele chegou a um pequeno lago e parou para admirá-lo. "Este lugar é perfeito. Fui um tolo por ter feito este mundo sofrer por causa da ganancia humana. Mas agora sei como posso ajudar. Vou lutar ao lado deles e acabar com essa guerra" - decidiu Samuel, sem perceber que quatro lobos se aproximavam.
Um deles lan?ou uma pedra em sua dire??o, mas Samuel a pegou facilmente.
— Parece que esse ca?ador n?o é t?o inútil afinal. — zombou um dos lobos.
Samuel os ignorou e tentou se afastar, mas uma m?o de água surgiu do lago e o agarrou.
— Para onde pensa que vai? Sem seus amigos ca?adores, você n?o é nada. Está na hora de aprender a n?o mexer com lobos. — disse um dos lobos, rindo.
Samuel, já farto das ofensas, se soltou da m?o de água e se aproximou calmamente deles. O lobo que zombava desmaiou instantaneamente com um golpe certeiro na cabe?a.
— N?o sou qualquer um que vocês possam zombar facilmente. — afirmou Samuel com firmeza.
Furiosos, os outros três lobos atacaram ao mesmo tempo, mas Samuel desviou de cada um com agilidade impressionante, seus movimentos fluindo com uma gra?a feroz, como se o próprio instinto o guiasse.
— Você vai pagar por machucar nosso amigo! — gritou um dos lobos furiosos, avan?ando com a boca aberta e as garras prontas para dilacerar.
Mas Samuel, com um movimento ágil, se esquivou e, em um único golpe, fez o lobo cair inconsciente no ch?o.
Os outros dois lobos, vendo o que acontecera, n?o hesitaram em lan?ar um ataque combinado. Um deles conjurou uma onda de energia que quase atingiu Samuel, mas ele já estava se preparando para desviar. Porém, antes que pudesse reagir, o segundo lobo usou magia para lan?ar uma poderosa rajada de vento. Samuel foi atingido de frente, seu corpo sendo arremessado para trás com for?a. O impacto foi brutal, e ele sentiu a dor em cada centímetro do seu corpo. Sangue escorria por sua testa e pelo lado de seu corpo, mas ele n?o recuou.
Com uma respira??o pesada, ele se ergueu, m?os brilhando com uma aura dourada, como se sua dor fosse alimentando sua determina??o. O brilho das m?os desapareceu t?o rapidamente quanto surgira, mas havia algo em sua postura que dizia que ele n?o estava mais disposto a recuar.
— Por que você n?o morre logo?! — gritou um dos últimos lobos, enquanto ele e o outro restante conjuravam outra magia poderosa, criando uma tempestade de pedras afiadas que foram lan?adas contra Samuel.
Mesmo após receber o impacto direto, Samuel permaneceu em pé, seu corpo manchado de sangue, mas sua express?o n?o demonstrava dor, apenas uma determina??o inabalável. Ele olhou para os lobos com fúria.
Antes que os lobos pudessem lan?ar um novo ataque, o Alfa apareceu em cena, seu rugido cortando o ar.
— O que est?o fazendo? Brigando em nossa alcateia? N?o sabem que estamos em guerra e n?o podemos nos dividir assim? — perguntou o Alfa, sua presen?a imponente fazendo os lobos hesitarem.
— Foi ele que come?ou, senhor! Ele nos feriu, você n?o está vendo? — respondeu um dos lobos, indignado, apontando para Samuel.
O Alfa olhou para os lobos e depois fixou seu olhar em Samuel. Ele sabia que a situa??o era tensa, mas sua experiência como líder falava mais alto.
— Eu estava longe, mas sei o que aconteceu. Só porque ele é humano n?o significa que ele é mau como os outros ca?adores. Vocês precisam entender que n?o podemos brigar com nossos aliados. Ele também é um dos nossos. Se isso acontecer de novo, haverá puni??es. Agora, retirem-se e levem os outros com vocês. Espero que isso n?o se repita. — disse o Alfa, com firmeza em sua voz, seus olhos fulgurando.
— Sim, senhor Alfa... — responderam os lobos, envergonhados, e rapidamente se afastaram, levando os outros com eles.
O Alfa suspirou profundamente, sentindo o peso da responsabilidade sobre seus ombros. Ele se virou para Samuel, com uma express?o mais suave.
— Que recep??o, n?o é? Pe?o desculpas por isso. Como eu disse, eles têm um rancor dos ca?adores. Garanto que n?o haverá uma segunda vez. — disse o Alfa, com um tom de pesar.
— N?o é nada demais. Já passei por coisas piores. — respondeu Samuel, limpando o sangue de seu corte com a manga da camisa. Ele sabia que, no fundo, esse confronto n?o era apenas sobre ele, mas sobre os preconceitos e traumas que os lobos carregavam.
— Se você diz. Agora vamos, está quase anoitecendo e é perigoso andar sozinho à noite. — sugeriu o Alfa, observando os ferimentos de Samuel com um olhar preocupado.
Os dois come?aram a caminhar de volta para a toca do Alfa, enquanto os outros lobos os observavam em silêncio. O ambiente estava carregado de tens?o, mas aos poucos, com a chegada do Alfa e a autoridade que ele exalava, a quietude come?ou a se restabelecer.
Ao chegarem à toca, o Alfa se virou para Samuel.
— Para um humano, você até que luta bem. Tem potencial. Seria uma boa ideia ter um humano como você ao nosso lado. Por que n?o fica? — disse o Alfa, com um leve sorriso, tentando aliviar a atmosfera tensa.
— Pode ser uma boa ideia, mas você tem certeza de que os outros lobos aceitar?o isso? Acho que alguns poderiam se opor. — ponderou Samuel, ciente da animosidade que ainda existia entre ele e muitos dos lobos.
— Pelo que você fez hoje, acho que eles entenderam com quem estavam lidando. — disse o Alfa, com confian?a.
— Ent?o vou ficar e farei o melhor que eu puder. — decidiu Samuel, sentindo um novo propósito tomando forma dentro de si.
— ótimo. Agora, é melhor você descansar. Deve estar com fome; n?o comeu nada desde que chegou, certo? — perguntou o Alfa.
— Nem precisava, eu me viraria, mas obrigado mesmo assim. — disse Samuel.
— N?o há de quê. Coma algumas frutas e vá descansar. Amanh? será um dia longo. — disse o Alfa. — Vou tratar de algumas pendências agora à noite. Fique aqui e n?o saia sozinho. Você tem tudo que precisa aqui.
— Tudo bem, n?o se preocupe. Agrade?o a preocupa??o. — respondeu Samuel, come?ando a se acomodar.
O Alfa deu um aceno e se retirou, deixando Samuel sozinho na toca. Samuel se sentou por um momento, refletindo sobre os eventos do dia. Sua cabe?a estava cheia de pensamentos. Nunca havia se imaginado em um lugar assim, lutando ao lado de lobos e sendo aceito, mesmo com tanta resistência. Ele se perguntava o que mais o esperava e qual seria seu verdadeiro propósito neste mundo.
Ele comeu um pouco das frutas que o Alfa havia deixado e logo se deitou, seu corpo exausto, mas com a mente agitada.
"Que dia. Nunca fui t?o bem tratado assim. Ele me lembra um pouco do meu pai. Sinto saudades dele e da minha família. Queria que estivessem aqui comigo, vivendo uma vida melhor e sem complica??es. A saudade é grande..."
Com esses pensamentos, Samuel fechou os olhos, e o silêncio da noite o envolveu. Ele sentia uma paz que nunca havia experimentado, mas a guerra e o peso de seu destino ainda estavam à espreita, esperando para ser enfrentados.
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