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Algumas horas se passaram e Samuel finalmente despertou. Ao abrir os olhos, notou que estava em uma toca. " Que dor de cabe?a... Onde estou? Isso é uma toca? O que s?o essas coisas no meu bra?o? Seu corpo estava envolto por plantas e ervas medicinais que cobriam seus ferimentos, um alívio temporário para a dor que pulsava em sua cabe?a. Ele se esfor?ou para se sentar e, ao virar a cabe?a, viu três filhotes espiando-o de um canto, com olhinhos curiosos.
— Oi? — disse Samuel, tentando soar amigável.
Os filhotes, ao perceberem que haviam sido descobertos, saíram correndo rapidamente. "Devo ser bem assustador para eles" pensou ele. Com dificuldade, Samuel se levantou e saiu da toca, dando de cara com uma alcateia enorme. Alguns lobos notaram sua presen?a e come?aram a murmurar entre si.
— Ele acordou!
— Aquele humano acordou!
— Quem será ele?
No meio da multid?o, um lobo de pelagem amarelada e olhos verdes se aproximou de Samuel, sua postura confiante transmitindo uma calma que Samuel ansiava.
— Você acordou! Excelente! — disse o lobo, um brilho de entusiasmo em sua voz.
— Quem é você? — questionou Samuel.
— Quem você acha que te trouxe para cá e cuidou dos seus machucados, hein?
O tom do lobo era descontraído, como se estivessem conversando sobre trivialidades.
— Por que me ajudou?
— Que pergunta é essa? Você acha que eu ia te deixar na floresta, largado e morrendo? E outra, você n?o parece ser um ca?ador.
— Hm, entendi. Muito obrigado por cuidar dos meus ferimentos. Eu me chamo Samuel, caso queira saber meu nome.
— Eu sei.
— Sabe?
— Sim.
— Como?
— Achei seu nome nas suas coisas...
O lobo sorriu, um sorriso travesso que fez Samuel sentir uma mistura de alívio e estranhamento.
— Você mexeu nas minhas coisas?
— Sim.
Samuel suspirou, um misto de frustra??o e gratid?o.
— E qual é o seu nome?
— é Kuwabara.
Os outros lobos, percebendo a intera??o entre os dois, come?aram a se aproximar, cercando Samuel e bombardando-o com perguntas.
— Quem é você?
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— De onde você é?
— Quantos anos você tem?
— Calma, gente! Ele mal acordou e vocês já est?o enchendo ele de perguntas? Esperem um pouco, ele vai falar com vocês! — gritou Kuwabara, impondo um certo respeito entre os lobos.
Os lobos, percebendo a autoridade de Kuwabara, recuaram um pouco, embora ainda parecessem intrigados.
— Eles n?o têm medo nem ódio de mim? — perguntou Samuel, olhando ao redor.
— Eles têm, mas n?o é todo dia que vemos um humano na nossa alcateia. Além disso, já é comum vermos híbridos passando por aqui.
— Híbridos?
— Você n?o sabe? S?o lobos que podem se transformar em humanos, ou quase. Eles s?o o fruto de relacionamentos entre humanos e lobos.
— Sério?
Samuel parecia enojado, mas n?o demonstrou.
— Sim. Eu sou um deles.
Kuwabara se transformou em uma forma humanoide, exibindo tra?os de lobo que o tornavam ainda mais intrigante.
— Tá legal... Mas você sabe onde fica a Vila Luar? Tenho que voltar para lá, ou melhor, encontrar uma pessoa.
— Oh, é sua pretendente?
— N?o, n?o é isso. Você soube do ataque ontem à noite?
— Soube, sim.
— Estava procurando um filhote, mas acabei me distanciando e agora felizmente estou aqui.
— Entendi. Mas acho que você ainda n?o está bem para caminhar. Seus ferimentos foram graves. Talvez fosse melhor descansar. Se quiser, posso pedir para a minha alfa mandar alguém notificar sua vila de que você está aqui.
— N?o, eu estou bem. Posso andar, n?o se preocupe.
— Tem certeza?
— Tenho.
Samuel tentou caminhar novamente, mas caiu de joelhos no ch?o.
— Droga, como posso estar t?o fraco assim?
— Eu avisei — disse Kuwabara, rapidamente se aproximando para ajudar Samuel a se levantar.
— Por que parece que você tá acostumado com isso? — perguntou Samuel, percebendo a familiaridade de Kuwabara com situa??es de vulnerabilidade.
— Que nada. Vamos, eu te levo de volta para a toca.
— Por que você está sendo t?o gentil comigo? Você nem me conhece.
— Ah, eu posso n?o te conhecer, mas sei que você n?o é uma pessoa má como os ca?adores. Eu sinto algo em você. Eu vi o que você fez ontem, e isso já foi o suficiente para acabar com minhas dúvidas.
Samuel permaneceu em silêncio, surpreso pela confian?a que Kuwabara depositava nele. Ambos entraram na toca, e Samuel se sentou, tentando processar tudo o que acontecera.
— Vai ficar aí mesmo? Precisa de mais alguma coisa? — perguntou Kuwabara, com um olhar preocupado.
— N?o, tá tudo bem. Esse ch?o é confortável.
Kuwabara se transformou novamente em lobo, voltando à sua forma original.
— é melhor assim — disse Kuwabara, sua voz agora mais suave e reconfortante.
— Isso n?o dói? — perguntou Samuel, curioso.
— Que nada, eu só prefiro ficar igual aos outros.
— Acho que, sem sua ajuda, eu ainda estaria largado na floresta até agora. Obrigado.
— De nada, Samuel. Amigos têm que ajudar, né?
Samuel balan?ou a cabe?a em concordancia, sentindo-se grato por ter encontrado um aliado naquele momento.
— Eu até te levaria para conhecer a alcateia, mas como você está impossibilitado, fica difícil. De qualquer forma, preciso ir agora. Vou ajudar alguns lobos que vieram do ataque de ontem, já que essa é minha fun??o como curandeiro. Mas volto antes do anoitecer.
— Você n?o deveria confiar tanto assim em qualquer um, principalmente comigo sendo um humano.
— Eu sei, mas você é diferente. Você n?o é qualquer um.
Kuwabara sorriu e se despediu, saindo da toca.
Samuel deitou-se, pensativo sobre os acontecimentos do dia anterior. O peso da preocupa??o sobre Alex, o filhote que havia perdido, o acompanhava, e ele n?o conseguia afastar os pensamentos que o assombravam. Com tantas coisas passando por sua cabe?a, o cansa?o finalmente o venceu, e ele logo adormeceu, esperando que ao despertar, encontraria respostas.
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