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Capítulo 54 - Contextualização

  Murmúrios ecoam pela escurid?o. Vozes distintas conversam em diferentes tons como se estivessem debatendo algo. Porém, um contato pelo ombro chacoalha o corpo dessa consciência que estava quase retornando por conta própria.

  一 Jeanice! Ei, Jeanice!

  Como um susto, os olhos azuis se abrem enquanto ela se senta. Mas, o corpo todo dolorido, a luz cerúlea do luar invadindo as janelas e o quarto repleto de livros com uma escrivaninha ao fundo, vem a relembrá-la imediatamente onde ela está.

  Confusa, encara o menino agachado ao lado que a observa preocupado.

  一 Desculpa te acordar assim… Ainda tá mal?

  一 N-N?o… Estou melhor, m-mas e a Edina?

  一 N?o precisa se preocupar, eu consegui emboscar ela quando você caiu.

  Ao ouvir isso, a meio-elfa parece cabisbaixa. As orelhas dela caem brevemente. No fundo, ela n?o sente culpa, mas também foi a primeira vez que presenciou o mal absoluto de t?o perto.

  一 Você… conhecia ela? 一 Raisel se afasta brevemente do sofá e fica de pé.

  一 Sim… Ela era uma pessoa boa… Mas entendo c-como às Trevas pode mudar alguém agora.

  De bra?os cruzados, Yurgen bufa ao fundo para romper o momento dos dois.

  一 Quando alguém se alinha com uma Estrela Negra ao ponto de representar o seu Selo, significa que a sua Essência já foi completamente tomada. Sua amiga antes e depois, n?o s?o a mesma pessoa.

  Impaciente, decreta como um ponto final.

  O resultado disso? Um silêncio mórbido.

  Contudo, Carmen bate uma palma e toma a vez para si:

  一 Bem! Agora que estamos todos reunidos aqui no último quarto do Castelo, vamos compartilhar o que pudemos observar. Eu come?o!~

  Aconchegando-se na mesa, ela se senta com as pernas cruzadas enquanto respira fundo. Esses momentos de encaixar o quebra-cabe?a para descobrir algo, ela sempre adorou desde quando pertencia ao grupo N?made de Yurgen e Sarina.

  一 O norte da cidade, diferente do oeste por onde nós invadimos, está completamente destruído. Pelo o que eu notei, n?o s?o marcas de demoli??o, mas sim de uma batalha que acabou destruindo essa parte. 一 Cruzou os bra?os conforme seguia falando.

  一 Enquanto eu estava por lá, eu fui emboscada por um Sacerdote da Lua. O nome dele era Gratios e ele disse que era o segundo na hierarquia desses padres malucos. 一 Os dedos delicadamente colocaram alguns fios ruivos para trás da oreha.

  一 Depois de derrotar ele, eu vim pra cá e passei sem encontrar ninguém. Nenhum cidad?o corrompido e nem Bealerim. 一 Ao fim, balan?ou a cabe?a negativamente.

  O olhar cinzento de soslaio, desgruda-se da ruiva. Em um piscar mais longo e um relaxar dos ombros, Yurgen come?a a falar:

  一 No leste, há uma catedral como Rengil havia dito. Lá haviam Bealerins, tanto encapuzados quanto padres. Eu exterminei todos, incluindo um Sacerdote da Lua… O quinto, que se chamava Obedientia. 一 Com os bra?os ainda cruzados, o palmo direito passou dedilhando a barba grisalha.

  一 Mas antes disso, presenciei um ritual onde eles sacrificaram uma mulher virgem para Berith. Também descobri que há duas pessoas comandando essa corrup??o: Osman e Isgaland. Ouvi falar de um tal de Oseiros, mas ele foi mencionado só por Servos baixos. 一 Finalizou com um gesto de palmo para cima.

  Respirando fundo, Raisel coloca uma das m?os na nuca enquanto encara o ch?o. Desse jeito, come?a a falar:

  一 No sul, eu me encontrei com Odgard Truman. Ele era um Bar?o de Berith. Depois de derrotar ele, houveram alguns Servos que vieram para cima de mim. Mas continuei a ir em frente até me deparar com a Jeanice. No caminho até ela, n?o vi nenhum Servo e nem cidad?o também.

  一 Enquanto trazia ela pra cá, eu vasculhei alguns quartos, mas n?o encontrei nada.

  Os olhos azuis e os olhos cinzas saem do garoto. Indo diretamente até Jeanice, o olhar dourado também se fixa nela.

  Um arrepio percorre a nuca da meio-elfa, mas ela enche os pulm?es. O rosto dela se abaixa por um instante, mas se levanta. Nisso, as m?os pressionam o sofá com firmeza.

  一 Eu… acordei na pousada e o símbolo do Grande Sol tinha se apagado. Os servos entraram lá e eu tentei fugir… Mas fui emboscada pela Edina e ela me guiou até o Castelo… Enquanto a gente tava andando, eu perguntei sobre Imoriel…

  一 Ela disse que ele está em Rosebond… Ouvi falar desse Oseiros, mas a Edina o chamou de “porco”… N?o havia nenhum servo à oeste também.

  No fim, o rosto dela se abaixou.

  “Tem mais alguma coisa…?” 一 Pensou.

  Os três, simultaneamente, se encararam surpresos. Somente um pensamento passou pela cabe?a deles nesse momento:

  “E-Ela falou sem gaguejar!?”

  Quase que de maneira harm?nica, um sorriso de lábios se fixa na fei??o de cada um deles, aliviados.

  Yurgen descruza os bra?os e volta a observar Raisel.

  一 Essa Edina, chegou a ver qual era a posi??o dela dentro da Ordem de Berith?

  一 N?o, eu n?o–

  一 Viscondessa. Ela era uma Viscondessa. 一 Jeanice interrompe o menino enquanto se levanta.

  Com uma pin?a de dedos, puxa parte de sua camisa pelo bra?o.

  一 Estou com sede. Você tem algo?

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  O garoto balan?a a cabe?a para os lados como resposta.

  一 Eu peguei um pouco de água.

  Carmen retira da cintura um cantil e estende ele para a menina.

  一 Eu tenho alguns biscoitos.

  Por dentro da vestimenta superior, Yurgen exp?e o peda?o de pano com algo para eles beliscarem.

  一 Rosebond… Se o objetivo do Imoriel é “equilibrar” as coisas, faz sentido ele estar no meio de uma guerra.

  Vendo os três comerem, Yurgen reflete sobre como eles far?o para chegar até a Calamidade da Moral.

  一 Nós vamos pra lá? 一 Perguntou genuinamente o garoto que come?a a beber um pouco de água.

  一 N?o… N?o vai adiantar irmos pra lá. Obedientia disse que o amuleto que convoca Ele se chama Medaillon e está com Osman. Precisamos achar esse homem… Mas o que me preocupa é…

  一 O fato de n?o ter ninguém na cidade? 一 Carmen completa ao ver o velho perdido em pensamentos.

  一 Sim…

  一 Eles n?o devem ter saído… A atendente da Pousada disse que eles est?o presos há dez anos aqui. 一 Raisel encosta sobre a parede.

  一 Mas… para onde eles foram? 一 Reflete Jeanice pensativa, encolhida no sofá ao abra?ar as próprias pernas.

  一 Espera… Se eles est?o aqui há dez anos, o que eles estiveram fazendo por todo esse tempo? 一 Desconfiada, a ruiva deslizou os olhos até o menino.

  Novamente, o ambiente ressoa somente com a brisa da noturna vindo pelo lado de fora. O silêncio é notável, mas a mente de cada um deles trabalha de modo incessante.

  一 Aliás, Odgard disse que aquela Feiti?aria com relampagos, quando chegamos de frente para o castelo, era obra do pai dele. 一 Raisel dizia enquanto gesticulou com a m?o.

  一 Deve ser Osman… Já que essa Edina se referiu à Oseiros como porco, ele n?o poderia ser o mandante por trás de tudo. Mas e onde entra Isgaland nisso? 一 Com os palmos entrela?ados e inclinado para frente, Yurgen os mantém perto dos lábios enquanto está sentado em uma poltrona.

  一 Se esse Osman é o chefe dos Truman, Isgaland deve estar relacionado à esse “Culto a Lua” e a Berith, n?o? 一 A voz da ruiva saiu enquanto, deitada sobre a mesa, ela encarava a luminária de cristais transparentes no teto.

  一 é o mais provável. Isso os relaciona diretamente com a corrup??o de dez anos atrás. 一 Retrucou ao encará-la de soslaio.

  一 Sinto que… estamos esquecendo alguma coisa.

  Visivelmente incomodado, Raisel p?e a m?o sobre o rosto.

  Ao ouvir essas palavras, Jeanice parece solu?ar. A sua tentativa de se lembrar de algo, finalmente vem à tona com as imagens vívidas do lugar escuro, silencioso e que poucas pessoas iam.

  一 Por?es… Quando eu fugia dos meus irm?os, eu me escondia nos por?es do Castelo! Deve ter alguma coisa lá!

  Surpresos, eles encaram ela.

  一 Incrível, Jeanice! Isso faz total sentido! Se eles n?o est?o em nenhum lugar na superfície, eles só podem estar no subterraneo! 一 Exaltado, Raisel quase se jogou para cima dela.

  一 é… mas é muito perigoso. Arrastar uma batalha no subterraneo é o mesmo que correr o risco de sermos soterrados. 一 A preocupa??o do velho pareceu duplicar ao ouvir aquilo.

  一 Além de ser uma armadilha. Ser?o muitos inimigos, contando que todos os Bealerins estar?o lá… Fora os cidad?os, que muito provavelmente v?o ser usados de reféns contra nós. 一 Complementou a mulher que se sentou sobre a beirada da mesa.

  Ao encará-los, o garoto entende na hora as entrelinhas.

  Os punhos se fecham firmemente e o olhar dourado cintila com frustra??o… Saber onde os inimigos est?o, onde as pessoas que precisam ser salvas est?o e n?o poder fazer nada com perfei??o, é o que lhe embrulha o est?mago.

  “é mesmo… Nosso objetivo n?o é salvar essas pessoas da Erradica??o… Isso foi algo que eu prometi pro Rengil…”

  一 De qualquer jeito, nós teremos que ir pra lá. Mas, Raisel…

  Conforme o velho falava, seus passos pesados se direcionam até o rapaz. Próximo, a sua sombra o cobre por completo. O palmo direito do arqueiro pousa sobre o ombro esquerdo do outro.

  一 Dessa vez, n?o se distraía… Nem sempre salvar todo mundo é uma op??o. Você entendeu? 一 O aperto gradualmente ficava mais forte à medida que Yurgen se lembra do que ele fez no Leil?o em Balmund.

  一 Seremos quatro pessoas contra um exército num espa?o limitado. Qualquer… Repetindo, qualquer distra??o, n?o só você, como eu, a Carmen e a Jeanice, vamos morrer. E isso, consequentemente, vai matar a Raquel e qualquer outro preso na Ruína de Pisces.

  一 Você… entendeu?

  Respirando fundo, Raisel ouve tudo com clareza, mas com semblante baixo. Porém, com a última fala, o menino agarra o pulso do av? e levanta o olhar.

  一 Sim… Eu entendi.

  A determina??o dele, apesar de fragilizada ao n?o poder cumprir algo que prometeu, n?o hesitou. Tudo o que foi dito pelo mentor é a pura verdade, mas o desejo egoísta… O heroísmo em seu cora??o, doía como ser empalado pelo peito.

  一 Vamos. N?o podemos perder tempo… O plano será esse…

  Saindo do escritório no topo do Castelo, na torre central, o grupo é guiado por Jeanice tomando à frente. Logo atrás, o experiente N?made arquiteta o plano para invadir o subterraneo de Kromslaing.

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